segunda-feira, 1 de junho de 2009

Formação de Atletas



O tema formação de atletas nunca esteve tão latente no cenário do mercado esportivo. É evidente que estamos sempre nos deparando com propostas, ideias e tentativas de desenvolver a formação de atletas em diversas modalidades. Mas, em tempos de Neymar, fica claro que o futebol é o mercado mais destacado nesse contexto.

Fazendo uma breve análise dos clubes formadores no Brasil, podemos visualizar que nos últimos cinco anos o avanço no investimento e desenvolvimento da formação de atletas é notório. Inúmeros clubes e empresas no país estão a cada dia se estruturando e buscando a melhoria no aproveitamento das suas categorias de base.

Mas o pilar fundamental da formação, que na maioria dos casos fica em segundo plano para a mídia, e consequentemente, para o publico em geral, não é a aparição de Ronaldinhos, Kakás, Patos, Neymares. São os os milhares de garotos que, com a passagem pelas categorias de base, encontram um caminho para a educação, a cidadania, para uma vida saudável e digna. Além de exemplos como Hernanes, Tayson e Lucas, entre outros que não foram fenômenos ou galácticos com 17 anos, mas tornaram-se grandes jogadores aos 20 e poucos.

Devemos observar melhor o processo como um todo, criar mais conceitos, parâmetros e discutir mais sobre o sistema de formação de atletas no futebol brasileiro. Não podemos nos dar ao luxo de pensar somente em “craques precoces” ou “fenômenos juvenis”, até porque eles vão de forma tão meteórica como aparecem. Precisamos balizar nosso trabalho inserindo o clube e o processo de formação no papel de ídolo. Os clubes precisam ocupar esse espaço de destaque no processo, fomentando todos os pilares da formação, garantindo o sucesso continuo.

A partir de 2009 o Brasil passa a ter três divisões do Campeonato Brasileiro com 20 clubes cada, além da estreia da Série D, que irá aglomerar um grande número de clubes. A otimização e o crescimento dessas competições estarão diretamente ligados à qualidade da formação dos atletas.

Se formarmos melhor nossos jogadores, poderemos valorizar mais nossos “craques”, repor atletas com melhor qualidade e velocidade do que atualmente, além de que os “zezinhos” e “manés” errarão menos passes, perderão menos gols e farão o espetáculo futebol ainda melhor.

Essa é a formação de atletas “no país do futebol”, que cresce a cada dia, mas como tudo em nosso país precisa de ajustes e adequação. Precisamos transformar as categorias de base em modificadores de vida, em centros de excelência em formação de cidadãos e atletas. Otimizar o aproveitamento não é somente lançar à equipe profissional uns poucos adolescentes de 17 anos, mas sim trabalhar centenas de jovens ate a idade adulta.

Dessa forma tornaremos o processo mais eficiente, o futebol brasileiro melhor para o público, para a mídia e para os patrocinadores. Além, é claro, de que geraremos novas receitas aos clubes e trabalharemos para um mundo melhor.

* Thiago Scuro (Máquina do Esporte)

Formado em Ciência do Esporte, Thiago Scuro é o gerente geral do projeto de futebol do Grupo Pão de Açúcar



Nenhum comentário:

Postar um comentário